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16 de Maio de 2021

Após 20 anos, real perde poder de compra, e nota de R$100 vale só R$22,35

Shankar Cabus, Analista de Desenvolvimento de Sistemas
Publicado por Shankar Cabus
há 7 anos

Aps 20 anos real perde poder de compra e nota de R 100 vale s R 2235

Ao longo de quase 20 anos do Plano Real, a inflação acumulada desde 1/07/1994 até 1/2/2014, medida pelo IPCA, foi de 347,51%. Assim, um produto que custava R$ 1,00 em 1994 custa hoje R$ 4,47.

O matemático financeiro José Dutra Vieira Sobrinho afirma que, em decorrência desse fato, a cédula de R$ 100,00 perdeu 77,65% do seu poder de compra desde o dia em que passou a circular. Com isso, o poder aquisitivo da nota de R$ 100,00 é hoje de apenas R$ 22,35.

A perda desse poder aquisitivo é calculada por uma fórmula matemática na qual se divide o valor nominal da moeda pela taxa de inflação somada a 1. Quem quiser aprender a calcular a perda do poder aquisitivo da moeda pode acompanhar a explicação do professor Dutra no seu blog.

"O real foi reduzido a quase um quinto do valor em 20 anos", diz o professor. "Mas isso ainda é uma vitória. Porque mesmo passados 20 anos, ela ainda mantém um certo poder aquisitivo. O histórico anterior era de uma inflação que chegava a 5.000% ao ano."

A garoupa virou lambari

Aps 20 anos real perde poder de compra e nota de R 100 vale s R 2235

"Com essa desvalorização, se o indivíduo ganhava R$ 100 em 1994 agora precisa de R$ 400 para poder atender aos seus desejos", diz o professor de Economia do Insper Oto Nogami. "A garoupa virou um lambari", referindo-se ao peixe que estampa a nota de R$ 100.

Aps 20 anos real perde poder de compra e nota de R 100 vale s R 2235

A onça também virou um gatinho –a nota de R$ 50 hoje tem o poder de compra de R$ 11,17. Em 20 anos, o valor da moeda de R$ 0,01 praticamente desapareceu.

Aps 20 anos real perde poder de compra e nota de R 100 vale s R 2235

Isso se deve por conta do efeito da inflação sobre o poder de compra. "A inflação é o termômetro que mede a diferença entre o desejo de consumir e a capacidade de produzir", diz Nogami.

Quando o desejo de consumir é maior do que a capacidade de produção, os preços sobem.

Inflação é problema crônico no Brasil

O crônico problema brasileiro com a inflação está, portanto, na incapacidade de o país produzir o suficiente para atender à demanda reprimida, ou seja, àqueles que querem consumir e pagam por isso.

"Há também um incentivo inconveniente e imprudente por parte do governo de estimular compras sendo que não há a produção necessária para atender o consumo.

Outro fator que estimulou a inflação foi a queda abrupta da taxa de juros até 2012. A oferta de crédito fez com que as pessoas se sentissem mais" ricas "."O brasileiro partiu para o consumo desenfreado, se endividou, se tornou inadimplente. E a conta para pagar veio.

Como sair dessa situação?

É simples, diz o professor Nogami. A primeira providência é investir no setor produtivo para adequar as necessidades de produção ao consumo.

O segundo item importante é o investimento em educação. Incluir na grade curricular conceitos fundamentais de finanças pessoais. Ensinar a importância de poupar.

"Sonhos de consumo podem e devem ser realizados, mas mediante um planejamento. Primeiro economizar para realizar o sonho e não antecipar o sonho usando empréstimos e financiamentos que no médio prazo reduzem sua capacidade de consumir", diz.

E, quando o produto estiver caro demais, deixe-o na prateleira. Afinal, quando o produto sobra, as liquidações aparecem.


Fonte: http://economia.uol.com.br/financas-pessoais/noticias/redacao/2014/02/18/apos-20-anos-real-perde-pod...

22 Comentários

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Salário mínimo saltou de R$ 64,00 para R$ 724,00. 1.131,25 % de aumento nominal. Correto? continuar lendo

Acho o salário mínimo o maior engodo da história! A conta não bate, óbvio! Sempre que o salário mínimo aumenta, o empregador precisa repassar os custos. Ou seja, o salário mínimo aumenta e com ele o preço de todos os produtos. continuar lendo

"Quando o produto estiver caro demais, deixe-o na prateleira. Afinal, quando o produto sobra, as liquidações aparecem" - Gostei, sabias palavras! continuar lendo

é...já deixei o feijão...a carne... o que mais seremos obrigados a não comprar arroz. ovo, macarrão, paozinho...? continuar lendo

O problema que os ricos compram. Isso é uma forma de exclusão social por parte da burguesia, eles continuam consumindo e deixando os pobres de fora, pelo fraco poder aquisitivo. Capitalismo selvagem, é lindo nos livros, só nos livros. continuar lendo

Concordo que os sonhos podem ser realizados, mas mediante planejamento, ou seja, com a alta da inflação e o real perdendo o valor dependendo dos sonhos vai ser necessário um planejamento bem mais apurado, retendo uma boa parte da renda, porque por exemplo, se o sonho por uma viagem internacional com a alta do dolar e o real perdendo valor, as vezes o sonho só vai ficar no sonho. continuar lendo

Interessante: ninguém 'ligou' para o que o João Bremm escreveu... Porquê? continuar lendo

Por favor, não deixem a Dilma saber disto. Ela crê firmemente que estamos todos em excelente condição financeira e com poder de compra altissimo e que a inflação é só uma lenda... continuar lendo